Arte:

Pindorama: Corpo Território



Artista:

Flor de Maracujá

Maranhão - Brazil



Patrocinador:

Pindorama: Corpo Território Pindorama: Corpo Território

Inspiração


Na obra Pindorama, a onça não é apenas um habitante da floresta: ela é o próprio território amazônico. Seu corpo revela-se como extensão da terra, dos rios e da vida que pulsa, mas também como espaço de disputa, onde se inscrevem marcas de violência e destruição.
Na pele-floresta da onça, a vida pulsa em rios serpenteantes, em galhos que respiram, em verdes que se erguem como muralhas contra o vazio. Mas por entre esse mesmo corpo, abrem-se vias — ora estradas, ora cicatrizes de rios que secaram — atravessando o rosto, o dorso, o ventre. Não são fronteiras entre o vivo e o devastado, mas feridas que se espalham
por toda a extensão da Amazônia, onde veias viram vias e caminhos se tornam lembranças do que foi fluxo de vida.

A escultura traz a abundância: o rio Amazonas serpenteando como veia vital, a fauna e a flora que florescem em cores vibrantes, a memória viva de um território que é ancestral e coletivo.
D’outro lado, emerge uma memória de devastação: o fogo, o desmatamento, a grilagem, as estradas abertas que cortam a floresta e rasgam também o corpo da onça. Essas vias não são rios de vida, mas caminhos de saque, que drenam e queimam o território, ecoando a metáfora de As Veias Abertas da América Latina.
Assim, cada mancha, cada linha pintada, reafirma que o corpo da onça e o corpo da floresta são indissociáveis. Quando o território amazônico é ferido, a onça também é atingida; quando a onça é caçada, o território inteiro é ameaçado. A obra, portanto, é um chamado: enxergar na pele do jaguar a própria Amazônia — sagrada, ferida, mas ainda viva e resistente.

Palavras-chaves: corpo, território, disputa, abundância, destruição, esperança, memória e denúncia

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