Na obra Pindorama, a onça não é apenas um habitante da floresta: ela é o próprio território amazônico. Seu corpo revela-se como extensão da terra, dos rios e da vida que pulsa, mas também como espaço de disputa, onde se inscrevem marcas de violência e destruição.
Na pele-floresta da onça, a vida pulsa em rios serpenteantes, em galhos que respiram, em verdes que se erguem como muralhas contra o vazio. Mas por entre esse mesmo corpo, abrem-se vias — ora estradas, ora cicatrizes de rios que secaram — atravessando o rosto, o dorso, o ventre. Não são fronteiras entre o vivo e o devastado, mas feridas que se espalham
por toda a extensão da Amazônia, onde veias viram vias e caminhos se tornam lembranças do que foi fluxo de vida.
A escultura traz a abundância: o rio Amazonas serpenteando como veia vital, a fauna e a flora que florescem em cores vibrantes, a memória viva de um território que é ancestral e coletivo.
D’outro lado, emerge uma memória de devastação: o fogo, o desmatamento, a grilagem, as estradas abertas que cortam a floresta e rasgam também o corpo da onça. Essas vias não são rios de vida, mas caminhos de saque, que drenam e queimam o território, ecoando a metáfora de As Veias Abertas da América Latina.
Assim, cada mancha, cada linha pintada, reafirma que o corpo da onça e o corpo da floresta são indissociáveis. Quando o território amazônico é ferido, a onça também é atingida; quando a onça é caçada, o território inteiro é ameaçado. A obra, portanto, é um chamado: enxergar na pele do jaguar a própria Amazônia — sagrada, ferida, mas ainda viva e resistente.
Palavras-chaves: corpo, território, disputa, abundância, destruição, esperança, memória e denúncia
Vitória Elen 's Bio': Flor de Maracujá é uma artista plástica muralista, autodidata e artesã que se divide entre os trabalhos artísticos e como professora de inglês. A imperatrizense já deixou sua marca na cidade com a decoração de interiores e muitos espaços comerciais usando tinta acrílica e a técnica aquarela.
Pela primeira vez usou o spray se aventurando na arte de rua. Ansiosa para conhecer mais sobre o graffiti e aperfeiçoar a técnica, se mostra sempre disponível a aprender quando o assunto é arte.
Tem como inspiração a pintora mexicana Frida Kahlo pelo profundidade das suas obras e auto retratos, a artista visual grafiteira e mulher negra Gugie Cavalcanti, além do pintor Gabriel Mena.
Flor de Maracujá também anseia pelo reconhecimento dos artistas da cidade para que eles possam viver exclusivamente da arte.
Vitória Elen 's Bio':