Estipe é uma escultura que se ergue como caule, como corpo que sustenta camadas invisíveis de tempo. O jaguar aqui é mais do que animal — é território orgânico. Seu corpo é tomado por milhares de linhas desenhadas à mão, como se fossem fibras, veios, rios ou inscrições ancestrais da terra.
A superfície vermelha vibra como lava ou seiva, enquanto os grafismos desenhados com canetas Posca se transformam em cartografia viva. Cada linha é gesto, cada repetição é memória. O corpo do jaguar é, ao mesmo tempo, planta, rocha e animal. Uma travessia.
Assim como nas minhas pinturas da série Nascimento de Ilhas, onde a paisagem emerge por velaturas e sedimentações de cor, aqui a forma se constrói pelo acúmulo do traço, pela insistência do tempo sobre o corpo.
Estipe é base e elevação. É memória em estado gráfico.